sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Retrospectiva do governo Sartori, ou a culpabilidade alheia

Sartori assina um decreto com previsão de cortes de gastos no governo, por isso, dentre as medidas adotadas estava a suspensão da nomeação dos concursados. A culpa é do Tarso.

Dias depois, Sartori sanciona o aumento do próprio salário e dos deputados. Tarso era o culpado.
Compra de lençóis de cetim para o Palácio das Hortênsias, afinal, um bom piadista precisa de um bom local de repouso. Culpa do Tarso.

A seguir, Sartori afirma que vai atrasar o pagamento dos servidores. Novamente havia dedo do Tarso.
Logo depois, Sartori dá uma pedalada (essa não resultou em pedido de impeachment) na dívida do estado com a União, alegando que era para pagar os funcionários do estado. Tarso era novamente o responsável.

Com os salários atrasados, o evidente prejuízo para setores e serviços essenciais para a população, todavia considerados dispensáveis para o governador, como saúde e educação ficam  prejudicados, o estado entra em um caos e a segurança nunca esteve tão ruim. Alguns alegam que o Tarso fora visto esfregando as mãos, com um sorriso irônico e maquiavélico no rosto, afinal, a culpa era toda dele.

A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul sofre ameaça de fechamento. Pra variar, Tarso novamente tinha culpa.

Em seguida, novo parcelamento de Salários de servidores, mais prejuízo em serviços como segurança, saúde e educação. A criminalidade atinge níveis absurdos no estado, e alguns gaúchos já começavam a amaldiçoar até a quita geração do Tarso, por tamanha falta de compaixão.

Sartori entra com uma liminar pedindo desbloqueio das contas do estado pela União, resultado do acordo da dívida firmado em 1998 pelo governador Antonio Brito e endossado pelo então líder do governo na assembléia, José Ivo Satori, mas por culpa do Tarso.

Aumento do ICMS no estado, com voto de minerva do deputado Jardel e culpa do Tarso.

Agora, um ano e pouco depois da posse, existe a ameaça de exoneração dos funcionários concursados, além da não nomeação dos aprovados em outros concursos. Algumas fontes indicam que talvez a culpa seja do Tarso.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Guia prático de etiqueta para o protesto domingueiro

Pois é, caros leitores. Depois de muito tempo de ócio, gostaria não só de escrever, como também de publicar aqui um texto que combinasse utilidade pública e consciência política, para tirar este humilde espaço do ostracismo. Não consegui o que queria. Por isso resolvi lançar o Guia Prático de Etiqueta para Protestar Contra o Governo e os Governantes.
- Use e abuse das cores da bandeira. Verde e amarelo à toda. Azul e branco também, mesmo não dando tanto destaque. O que vem a ser uma boa dica para aqueles que preferem ser mais discretos.
- Cante o hino, e com a mão no peito especialmente estufado na hora do "pátria amada...". Afinal, nem só de consciência política vive a rapaziada. Também tem o sentimento de nacionalismo latente, verdejante e amarelante. Azulante e brancante também, só que em menor escala.
- Usar roupa vermelha está proibido.
- Faça associações abstratas entre Cuba e paraíso, afinal de contas, pode haver vários psicólogos protestando também, e essa obsessão por aquele simpático país merece ser investigada por um profissional competente.
- Abuse das selfies, caprichando nas legendas super expressivas, do tipo "fazendo a minha parte", "também estou indignado", enfim...
- Use e abuse do nariz de palhaço. Essa é a melhor forma de ser levado á sério.
- Não discuta com os que têm argumentos melhores do que os seus. É a melhor forma de perder a discussão e tirar a credibilidade do movimento, Prefira antes berrar e bradar,"Vá pra Cuba, lá é que deve ser o paraíso..." Este é o argumento definitivo.
- A música Eu te amo, meu Brasil, de Dom e Ravel, pode ser o segundo grande hit depois do próprio hino nacional. Geraldo Vandré, Pablo Milanes, Victor Jara e Violeta Parra nem pensar.
- Diga-se apartidário, mesmo centralizando todos os ataques em um único partido. Afinal, nem só de camisa da CBF e de hino nacional vive o bom protesto. Há também a coerência.
- Não se reprima, não se reprima uou, uou, uou, uou.
- E lembre-se de se divertir. Afinal, de que vale tirar toda essa parafernalha de casa, se não for divertido? E no fim das contas, não é tudo uma grande piada?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Nosso nível de estupidez subiu bastante, ou somente os intolerantes serão tolerados

Este humilde pretensioso candidato a escritor aqui sabe que abandonou e deixou órfã sua legião de aproximadamente doze leitores assíduos e nem tanto fiéis, e sabe também do cliché que representa retomar as atividades blogueiras justamente em época de eleição, mas temos que admitir que anos eleitorais são particularmente reveladores, no sentido de que descobrimos novas tendências de pensamento  presentes em certas pessoas, da mesma maneira que descobrimos tendências de pensamentos estranhos e comuns, ou estranhamente comuns, ou ainda comumente estranhos na maioria delas, o que fica bem provado, comprovado e laboratoriado nas chamadas redes sociais, as quais obviamente não deixam de servir de termômetro para avaliar o pensamento da rapaziada, da direita da esquerda ou da onda.
Esta enrolação toda serve como introito a algo que tenho a dizer, e que vem há tempos perturbando minha mente, e que dela se apossou após este despretensioso pretenso escritor ter assistido a um vídeo da passeata organizada pelos camaradas da direita. Sim! Os camaradinhas da direita, os sujeitos que andam de carrões importados, vivem em coberturas, vão a lugares bem frequentados (sic), enfim, nossa nata social (acho o termo nata social bastante adequado neste caso, pois nata entope as artérias e faz mal ao coração, segundo me consta, mas isso é outra conversa e outra milonga). O fato é que a tal da passeata consistia em uma manifestação do tipo "fora PT", fora o partido político, reivindicando, dentre outras coisas, a autoria dos programas sociais do atual governo, no qual, por sinal, este simpático escritor jamais votou.
Mas voltemos ao passado, não a um passado muito distante, mas sim ao passado em que eu ainda era um militante do movimento estudantil, nos tempos de segundo grau. Fazíamos passeatas por diversos motivos na época: contra a privatização das escolas técnicas, contra o voto paritário nas eleições para diretor da escola que frequentávamos. Éramos ingênuos, acreditávamos na possibilidade de reverter uma decisão do MEC. Organizávamos movimentos, em pleno governo PSDB, ainda com a população receosa da ditadura, ainda com a população esperançosa com o então recém criado plano real, ainda com a população falando em redemocratização e traição pelo presidente Collor, ainda com a população acreditando que o futuro ex-presidente Lula seria o salvador não apenas do país, como, de alguma forma, de toda a América Latina, e ainda com o medo da recessão que rondava o país, ainda no governo Fernando Henrique. Organizamos, todavia, os mais diversos tipos de passeatas, com os mais diversos temas, mas nunca pedindo especificamente a expulsão de um partido, achávamos, mesmo em toda a nossa ingenuidade de políticos pueris, que isso seria uma tremenda estupidez, pois tínhamos em vista o combate político, não o combate às pessoas, não o combate a um partido. E agora, com a possibilidade de eleição de um presidente do PSDB nos rondando, com a provável vitória, no governo do estado do Rio Grande do Sul, de um piadista que parece sempre impossibilitado de falar abertamente sobre suas propostas, mas que, apesar de sua impossibilidade neste campo, não raro consegue tirar da cartola uma piada, num rompante de diarreia verbal, como no caso de seu famigerado comentário a respeito do piso dos professores (instituído por lei federal, diga-se logo), vemos que as pessoas capazes de apoiar tais candidatos são infinitamente mais assustadoras do que qualquer política que tais candidatos possam implementar no Brasil, e, neste caso, esta parcela da população, que se sente representada por eles, e que também é capaz de organizar uma passeata para a contra-senso do que os próprios manifestante dizem, reivindicar direito e liberdade de expressão que alegam terem sido roubados pelos quatro últimos governos, e esse mote faz, sim, com que tal manifestação seja vergonhosa, da mesma forma que é vergonhoso o discurso comum dessa direita rançosa de que os ganhos de direito de determinado grupo constituem perda de direitos para essa elite, como alegam a respeito das cotas nas universidades, casamento igualitário, aborto e legalização das drogas.
Digamos, então, que, mesmo não sendo este autor renitente um militante do partido da situação, tendo inclusive votado em outro candidato no primeiro turno, é imprescindível não eleger o Aécio Neves para o governo federal, da mesma forma que é imprescindível não eleger o Sartori para o governo do estado do Rio Grande do Sul, mesmo que esses candidatos não representem alguma mudança política substancial, e acredito que de fato, não teremos grandes avanços com qualquer candidato que vença as eleições, petistas ou não. Mas é imprescindível não elegê-los pelo simples fato de que a maior parte dos que se sentem representados por ele constituem uma das camadas mais intolerantes, preconceituosas e ignorantes da sociedade, os que usam sua autoridade e posição social como argumento para vencer discussões, os que defendem a intervenção militar, enfim, os que negam direitos mínimos aos que não têm. A política petista difere da política tucana? Em grande parte não. Há anos isso não acontece, mas da forma como vejo as coisas hoje, deixar a elite preconceituosa e reacionária estar representada nos governos federal e estadual será um tremendo retrocesso, ainda mais depois da bancada conservadora já eleita no primeiro turno.

domingo, 9 de março de 2014

Previsão de memória

Não faço previsões. Acredito que a memória fica cada vez mais comprida, não sei se menos confiável, mas acaba ocupando mais espaço, feito um arquivo de gavetas muito compridas, no qual temos que esticar um bocado o braço para alcançar a última ficha. Sei que neste ano muitos farão homenagens ao Senna e ao cara do Nirvana, mas gosto mesmo de lembrar que há vinte anos, a Noeli, quando dava aulas de violão ao grupo que chamava de orfeonistas, e do qual eu orgulhosamente fazia parte, já que foi o que considero ter sido a minha primeira banda, em um final de tarde absurdamente frio, entre o fim do turno da tarde e o início do turno da noite, conseguiu reunir os que faziam parte daquele grupo, para ler poemas do Quintana, em uma homenagem dela e nossa ao poeta que acabava de partir. Também há vinte anos meu pai chegou em casa com um livro de poesias do Paulo Mendes Campos, Domingo Azul do Mar. Não era a primeira vez que eu lia Paulo Mendes Campos, mas era a primeira vez que eu lia os poemas do Paulo Mendes Campos, e mais ainda: a primeira vez que lia poesia com atenção. Creio que gastei o livro de tanto ler, e memorizei boa parte dele. Talvez por isso mesmo tenha alocado esses poemas em uma parte bem da frente do meu arquivo. Mas a verdade é que foram essas duas coisas que acabaram, naquele ano cheio de acontecimentos, fazendo a verdadeira revolução na minha cabeça.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Nossos médicos estão realmente preocupados com a saúde. Especialmente com a saúde de suas carteiras

Ainda podemos ouvir algum eco dos protestos da classe médica contra a vinda dos médicos cubanos para o Brasil, trazidos por um programa do governo federal. O deplorável protestos das médicas recém formadas que proferiram ofensas contra os cubanos, o inimaginável, medonho e indigno pronunciamento do presidente de um dos conselhos regionais de medicina, recomendando que os médicos locais não atendessem aos "erros" dos médicos estrangeiros.
Claro que sei que os médicos são demais, que estudam até a deformidade do traseiro sentado na cadeira, fazendo cursinho pago pelo pai, geralmente médico também, já que eles parecem se preocupar em fundar uma dinastia de médicos, e que os estudantes de medicina são aqueles que pregam os trotes mais medonhos nos calouros de seu curso.
Creio que seria algo correto e sensato valorizar a profissão pelo papel social, não por seu prestígio, e isso parece que vem sendo um grande problema para os médicos. Não apenas para os médicos, mas para que precisa de um deles, afinal de contas.
Pode parecer tarde, aliás, mas eu gostaria de mandar meus sinceros agradecimentos à simpática médica, cujo nome ignoro, a respeito da qual sei apenas que trabalha na emergência da Santa Casa de Porto Alegre, e que em abril, quando fui parar lá por causa de uma intoxicação alimentar, com 39 graus de febre, para quem perguntei onde poderia pagar os R$ 140,00 do atendimento, mas que não foi capaz olhar para mim, muito menos de apontar o indicador de ser humano superior, para mostrar o local onde eu deveria fazer o pagamento, preferindo simplesmente ignorar que eu lhe fizera uma pergunta. Muito obrigado, dona médica, você realmente me enche de fé e renova minha simpatia por essa categoria tão humanitária e desapegada dos bens materiais. Creio que o principal papel dos médicos brasileiros seja mesmo reacender a fé nas pessoas, já que quando precisamos de um, parece que o melhor a fazer mesmo é rezar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Mundial no mundo.

A cidade recebeu o mundial de atletismo. Daí que podemos ver por aí dezenas de pessoas a circular com agasalhos esportivos cheios de bandeiras de países diversos, falando idiomas diversos e aparentando aparências diversas, sem saber como tomar um ônibus ou um táxi, desorientados com a falta de informação. Sua presença não deixa, contudo, de proporcionar um interessante espetáculo.
De que países são as pessoas que por aqui estão?
De vários países e nacionalidades. Vieram peruanos, bolivianos, chilenos, angolanos, irlandeses, paquistaneses, birmaneses, ingleses, portugueses, finlandeses, estonianos, laponianos, estadosunidenses, japoneses, vietnamitas, coreanos do norte e do sul, suecos, iraquianos, turcos, vaticanenses, argentinos, uruguaios, malteses, escoceses, congoleses, tiroleses, africanos do sul e do norte, russos, sérvios, argelinos, australianos, austríacos, butaneses, croatas, cubanos, venezuelanos, equatorianos, mexicanos, haitianos, micronésios, caledonianos, macedônios e  franceses. Vieram, também, pessoas de países que achávamos que não existiam, como egípcios do novo e do antigo Egito, incas terrenos e venusianos, maias, astecas, bolivarianos, búlgaros e tanzânianos, quer dizer, tanzanenses... tanzãos... enfim, pessoas que nasceram na Tanzânia, e os persas. Enfim, de todos os lugares que podemos citar para exercitar nosso conhecimento do index mundi.
E brasileiros? Os brasileiros estão por aí?
Não rimavam com nada e resolveram ficar em casa. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Não para tanto, mas também não para nada mais

Agora que temos evangélicos, embora eu preferisse dizer religiosos de um modo geral, mas já que a situação está assustadoramente polarizada e, mesmo que seja eu um defensor da liberdade de culto e do livre pensamento, e aí incluo o direito à liberdade de expressão religiosa, pois esta, para mim traduz nada mais do que um pensamento, uma corrente filosófica, digo que inevitavelmente fico assustado com a possibilidade, com o vislumbre de uma tomada evangélica do poder, numa ascensão dada por algum meio obscuro, embora declaradamente popular.
Imagino um estado cujo poder é exercido por esta "classe". Que tipo de leis teríamos, quais exigências teríamos de cumprir, seríamos tributados? Aqueles que assumissem o poder, exerceriam-no de forma democrática, ou existiria um ditador supremo, vitalício, mantido no poder pela força do medo, com seu exército de lacaios comprados por sua ignorância?
Após essa série de questionamentos, proponho que realizemos algumas imagens:
No fim do mês o contracheque terá, no campo de descontos, além do imposto de renda, do FGTS, do INSS, do vale-transporte, do convênio médico, haverá uma referência a um desconto de 10% a título de dízimo ao ditador supremo vitalício.
Haverá uma espécie de toque de recolher para orações, de tempos em tempos, quando provavelmente prestaremos reverência a um enorme televisor, o qual a essa altura já terá regredido a um aparelho valvulado, de tubo, de vinte polegadas, com aqueles botões giratórios enormes para trocar de canal, embora  todos os canais transmitirão exatamente a mesma programação. E a programação de oração transmitida não  será celebrada por um sacerdote ante um altar, mas sim por um sujeito de paletó, gravata e camisa branca, todo suado, esbravejando e proferindo discursos cujas inflexões seriam a mesma de um apresentador dos piores programas de auditório.
Os discursos do orador serão carregados de ódio contra os contrários, mas sempre com a devida justificativa embasada por uma visão distorcida, adaptada e tendenciosa de uma passagem bíblica.
Seriam banidos da sociedade músicas, alimentos, bebidas e cores que contrariem a boa vontade do ditador supremo.
A população faria votos de austeridade, de consumo, mas principalmente de pensamento, enquanto o supremo ditador permaneceria sentado em um mansão com dezessete piscinas;
Talvez não fosse muito diferente de hoje, mas pensar seria um hábito fortemente reprimido pelo ditador.
Claro, uma enorme parcela da população apoiará e ainda fará comparações com os heróis bíblicos, e todas as disposições e pensamentos contrários seriam considerados crimes, passíveis de punições pesadas e cruéis.
Felizmente todas essas possibilidades não passam de mero produto da imaginação de um sujeito que despende um bocado de esforço, intelectual ou nem tanto, para proporcionar um pouco de diversão aos leitores, mas se realmente acontecesse esse golpe, borrar-me-ia todo.

sábado, 2 de março de 2013

Prazer em camadas

Talvez seja o livro, ou os livros, o único objeto capaz de proporcionar prazer em camadas. Primeiro há a encomenda, se ele não está na livraria. Depois, outra camada, o sujeito fica esperando para que ele chegue, tem noção de seu aspecto, mas não sabe exatamente o que está para chegar.
Então chega o livro. O sujeito vai até a livraria retirá-lo, no caso de não ter encomendado de modo que pudesse receber em casa, fica ansioso para ver como está, para sentir o peso, passa por aquela sensação de que é como tinha visto, mas não é rigorosamente igual à foto que vira na internet.
Ao chegar em casa, a pessoa abre o pacote, cheira o livro. Suas páginas constituem, em si mesmas, várias outras camadas, muito mais finas. E avança na leitura, camada por camada. Algo que os novos formatos, os tablets, os e-books, os semelhantes a isso tudo não podem proporcionar, é essa relação sensorial entre o leitor e seu livro.
Mas há também o desprazer do sujeito que, ao participar de um amigo secreto, recebe um livro do David Coimbra, do Paulo Coelho, da Martha Medeiros, ou do Diogo Mainardi. Daí, danem-se as camadas, ele joga tudo para cima, rasga-o, página por página, prende fogo nele e amaldiçoa o sujeito que o presenteou até décima nona geração.

Ruindo...


- Oh, o windows diz que é importante baixar essa atualização chamada atualização WAT.
- Claro, é a atualização que identifica se a cópia é pirata.
- Agora já baixei, ele está me mandando uma mensagem estranha, dizendo que o meu programa não é genuíno, mas também diz que posso resolver entrando no sítio da Microsoft.
- Vá em frente.
- O sítio diz que devo pagar para validar a minha cópia.
- Claro, você acha que aquele cara de cabelinho estranho ficou multimilionário distribuindo cópias do programa dele?
- Mas essa porcaria de anti-vírus eliminou um arquivo importante e travou todo o meu sistema. O que eu faço?
- Muda pro ubuntu. É de graça, e acaba de uma vez por todas com esse problema de formatação, identificação de cópia, vírus...
- Não posso. Se eu fizer isso, quatrolinhos de cabelo foguinho estranho vai viver do quê?
- E tem mais, o windows sempre é genuíno. Genuinamente imbecil.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sítio do pênis-pênis opilado

Anda por aí, por essas redes sociais da vida, odeio o título redes sociais, mas não encontro forma melhor de nominar esse sítios. 
Mas anda por aí, uma foto com um protesto a respeito da censura ao Monteiro Lobato, acusando-o de racismo. Creio que ele talvez merecesse a acusação de carolão moralista, principalmente pela sua tradução do Tom Sawyer, que por muitos anos me roubou o prazer da leitura do Mark Twain. Mas apesar de seu projeto pedagógico, ainda sou fã do Monteiro Lobato, por Urupês e também por textos como "O colocador de pronomes". 
Todavia, a verdade é que me parece que o Lobato será sujeito à mutilação artística. O que é bastante curioso, pois creio que a onda de piadas a respeito da mulher que estragou a pintura na igreja, e que circulou exaustivamente, como tudo nesses dias de excesso de informação, mas que no fim das contas me parecia mesmo um ato de represália ao seu descuido da hora de restaurar, ou sabe-se la o que ela queria fazer com a pintura.
O que eu acho muito triste, nesses dias sombrios de hoje, é que as pessoas não mais discutem, não debatem. Não há mais interesse em trocar conhecimento, mas sim em impor uma ideologia sobre a outra. Certa vez (acho que ano passado) entrei em uma discussão "virtual" a respeito de racismo. Acho que era sobre um cara da Globo que falara sobre o Sammy Davis Jr. e uma moça que participava me disse no final da argumentação: tá certo, mas que é racismo é racismo. Particularmente acho desprezível qualquer manifestação racista, sectarista, sexista etc. Mas também são desprezíveis a censura, a desinformação, a mutilação artística, e o não-debate. Hoje, quando se fala em liberdade de expressão, creio que este mote deverá vir acompanhado de uma frase assim: Certo, você tem o direito de expressar o que quiser, mas agora vai uma lista do que você quer expressar. Como o Monteiro Lobato, tínhamos outros excelentes escritores, que, creio, deverão também ser submetidos ao crivo da ignorância, o Jorge Luis Borges, o Rimbaud, que era traficante de armas, o Celine... Ah, tem outra, daqui a pouco vão censurar o Saramago por ser ateu. Vamos acabar lendo apenas os romances baratos à venda nas bancas. E olhe lá, porque eles me parecem estar cheios de sacanagem.

sábado, 16 de junho de 2012

Hipótese passageira

Às vezes, quando penso na quantidade de propaganda que é enfiada pelas nossas gargantas todos os dias, e mais especificamente quando penso a respeito dessa dita ideológica e do bombardeio macaquista que aconteceu na ocasião dos ataques aos edifícios nos EUA, na morte do terrorista e em todo o resto, principalmente quando há alguma pendência ou tendência política envolvida, da mesma maneira quando vejo  os noticiários a respeito do governo belicista dos EUA e de seu fraudulento presidente, o qual, de alguma forma, parece ter realmente se tornado um ícone, pelo menos na mídia de nosso país, que parece comemorar as invasões promovidas por aquela nação, não injustamente chamada por um dos seus de nação de estúpidos.
Penso no que aconteceria se os EUA necessitassem de mais espaço no planeta, e isso realmente parece estar prestes a acontecer, já que eles realmente parecem ter encolhido dentro de suas fronteiras, pois espaço físico e recursos naturais são, obviamente, muito mais importantes do que ouro e petróleo. Também lembro que misteriosamente comemoramos o expansionismo português muito mais do que a literatura portuguesa, mas isso é outro assunto, muito interessante, claro. 
A verdade é que pensei em algumas hipóteses de coisas que poderiam acontecer se os EUA invadissem o Brasil.
Em primeiro lugar, a invasão não se daria de forma agressiva; primeiro haveria uma certa aculturação nossa em relação a eles. Passaríamos a comer na lancheria do palhaço, as mulheres daqui passariam a ter muito seio e pouco cérebro, daríamos excessivo valor à tecnologia, que seria vista como solução de problemas por ela mesma criados. Teríamos programas de televisão aos moldes dos americanos, transformaríamos a cultura em mercadoria, chamaríamos escritores ruins de best sellers...
Mas se a invasão fosse feita de um modo agressivo, com tropas, exército, tanques de guerra, aviões, metralhadoras, em vez de com um simples telefonema, como efetivamente acontece. Como seria.
Creio que, em primeiro lugar, os políticos abandonariam Brasília, ou estenderiam o tapete vermelho para que os mariners marchassem pela capital.
A rede globo daria a notícia de que os EUA "ocuparam" o Brasil para instalar um novo governo na capital, em nome da democracia e da liberdade e que tudo não passa de uma fase transição, antes da devolução do controle do país para quem realmente merece, mostraria combatentes mortos, mas não sem chamá-los de rebeldes agressores ou vândalos marginais.
A juventude aplaudiria o desfile das tropas americanas nas ruas, dando graças a Deus por agora sim poderem comprar um I-pad, um I-phones, um I-pod, e com tais aparelhos milagrosos tirariam fotos durante as comemorações do dia da dependência.
Alguns resistentes publicariam fotos, charges, vídeos do Eduardo Galeano, fotos do Eduardo Galeano com textos do Eduardo Galeano ao lado das fotos, vídeos de conferências e alguns textos nas redes sociais, protestando, falando que é um absurdo, fazendo isto em seus notebooks, bebendo coca-cola até a hora de dormir.
Outros, mais rebeldes, escreveriam teses criticando o imperialismo e o colonialismo, dizendo que isso é coisa de reacionário, de neoliberal e que, se preciso for, estão dispostos a matar pela causa, mas irão para casa, no carro da mãe, com suas camisetas do uísque Jack Daniel's. Claro que dariam graças a Deus pela extinção do Velho Barreiro.
Os mais pessimistas e desesperançosos pediriam asilo no Uruguai.
Os mais otimistas diriam que os invasores seriam derrubados pelo poder do voto e que a situação está para mudar, e continuariam a sonhar feito idiotas acordados, dizendo que vale a pena, apesar de tudo, ser rebelde, mas silenciosamente dariam graças por ter finalmente uma causa.

domingo, 1 de abril de 2012

Nossos votos de primeiro de abril.

Primeiro de abril, e acho que pode-se dizer que ninguém sabe explicar o significado ou a origem do folclore a respeito da data. Há, inclusive, controvérsias a respeito do nome. Seria dia dos idiotas, dos bobos, dos tolos, dos patetas? Certamente acho que destes citados, pateta é o menos adequado, já que pode significar divertido, e a diversão praticada nesta data é a diversão às custas da enganação alheia, como aqueles trotes telefônicos nos quais se dava uma notícia falsa, deixando às vezes uma família inteira em pânico, para depois gritar animadamente: primeiro de abril. Portanto, não vejo nada de divertido nisso.  Mas por me parecer a forma mais abrangente e melhor adequada ao espírito do dia, chama-lo-ei de dia dos idiotas.
E é hoje, no dia dos idiotas, que dou os parabéns a todos os idiotas no mundo. Não apenas aos idiotas de dedicação exclusiva, como também aos sutilmente idiotas.
Dou os parabéns aos motoristas que não respeitam as faixas de segurança, os sinais de trânsito, as regras de trânsito em geral, que buzinam por qualquer motivo, que brigam, que correm e, especialmente, os que bebem e dirigem.
Também merecem os parabéns os pedestres que atravessam no sinal vermelho, sem que esteja aceso o homenzinho verde do semáforo.
Parabéns aos ciclistas que andam sobre as calçadas, desrespeitando os pedestres, pondo em risco a segurança de velhos e crianças, e que, mesmo sendo a parte mais forte se envolvida em um acidente com um pedestre, acham que têm o direito de reclamar por seu desfavorecimento em relação aos outros.
Parabéns aos que acreditam que cessar com a exploração inadvertida do meio ambiente poderia colocar a economia em colapso.
Parabéns aos que concordam com o que é chamado de sistema e resignam-se dizendo que é assim mesmo e nada pode ser feito.
Parabéns aos que acreditam na propaganda dos grandes meios de comunicação sem questionar e argumentam dizendo: está na veja.
Parabéns aos mal educados, aos que furam as filas. Aos que pegam troco a mais, não devolvem e ainda dizem que idiota é o cara que está no caixa. Aos que pegam emprestado e não devolvem. Aos que pegam emprestado, não devolvem e ainda sentem-se ofendidos quando cobrados.
Especiais cumprimentos aos que ouvem música de péssima qualidade em altíssimo volume nos carros.
E acima de tudo, parabéns aos políticos brasileiros, pois sem eles não haveria mais razão de existir esta data, e eu não teria assunto para produzir texto algum hoje.
Só resta dizer a todas as pessoas que exercem seu direito à idiotice: Por favor, não continuem assim.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Outra vez rock, mas sabe-se lá até quando.

Impressionante que o rock tenha evoluído com Elvis, Beatles, Doors, Rolling Stones, Cream, Moody Blues, tenha passando pelo krautrock alemão, pela Canterbury scene, na Inglaterra pelas centenas de ótimas bandas existentes na Suécia, que andavam anos à frente do que se fazia no grande circuito, mas que curiosamente preferiram não se expandir para além das fronteiras de seu país. 
Que tenha tido bandas belíssimas como The Byrds e Love, sendo que esta última, por simples decisão do Arthur Lee, tenha se limitado à Califórnia, tal como faziam aquelas bandas suecas. Que alguns tenham visitado  de forma brilhante, ainda que ligeiramente este gênero, como Bob Dylan, Ritchie Havens, Caetano Veloso e tantos outros. Que seja representado aqui no Brasil por bandas influentes como Mutantes, Novos Baianos e Secos & Molhados e, como diz um amigo meu, pelo Tom Zé, que pode ser enquadrado como roqueiro por seu espírito anarquista e contestador. Que tenha durante muitos anos resistido aos ataques da igreja, dos pais indignados, dos moralistas, dos quadrados, dos que se opunham e dos que simplesmente achavam-no muito barulhento. Que seja capaz de deslocar multidões, há mais de quarenta anos, objeto de eventos emblemáticos ou polêmicos. Que tenha tido sua conclusão com os Beatles, que fizeram com que tudo o que surgisse de após eles soasse como antigo ou pouco original e que, mesmo assim, tenha sido reinventado por bandas como Jethro Tull, Fairport Convention, Pentangle, Youngbloods, que tinham como integrantes músicos que diziam não tocar rock, mas que acabaram se rendendo em algum momento da história e dizendo que sim, tocar rock era o que faziam. Que tenha parentesco com o blues, com o jazz e com o erudito, pelo esforço de caras que estudaram, mesmo que para cair na obscuridade e, apesar disso, dar sua contribuição para anos após ter seus discos disputados a tapas, socos e pontapés nas lojas especializadas em antiguidades, que também não é um termo justo e que possa ser aplicado ao que chamamos de rock. Que tenha simbolizado a resistência, a rebeldia e a não submissão às normas de seus opositores. Que tenha sobrevivido a tanta porcaria, despudoradamente chamada no Brasil de  "music". 
Impressionante que após tudo isso um grupelho de adolescentes com cabelinhos e roupinhas coloridas queira, no Brasil e sei lá onde mais, queira ser chamado de grupo de rock. Ora, é esse tipo de coisa que legitima a máxima de por isso que o Brasil não vai pra frente.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Com título

No futuro todos terão 15 minutos de fama, um i-pad, um i-pod, um i-phone, muitos contatos e poucos amigos. Mera impressão ou ao mesmo tempo em que a internet facilitou o acesso às informações também tornou superficial a compreensão das coisas? Antigamente superficialidade era se despencar até o sebo para comprar livro com frases de pessoas notáveis. Hoje basta perguntar para o google. Todos sabem quem é Woody Allen, Groucho Marx, Karl Marx, Mae West, Campos de Carvalho, Oscar Wilde e W.C. Fields, e em algum lugar um sujeito com preguiça mental acessa o google para pesquisar a respeito do "Niti". Certo, mas o que se pode fazer com toda essa informação, exceto poder dizer "Já conhecia, já ouvi falar"? O mundo não ficou mais idiota, a quantidade de idiotas no mundo é que aumentou, ou eles se tornaram mais influentes.
De certa maneira sempre tentei discordar do Warhol, por implicância ou ignorância, sei lá... Mas a verdade é que de alguma maneira parece que agora consigo encontrar uma boa metáfora para o seu discurso ou então encontro um bom discurso em suas metáforas. 
Continuo me deliciando e não entendendo o Bukowski, mas entendo menos ainda os que se vangloriam dizendo conhecer seus livros e lamentam não tê-lo estudado no currículo escolar normal. De qualquer maneira, se o Bukowski entrasse para o currículo de literatura não seria marginal e a rodinha intelectual que se vangloria de conhecê-lo perderia sua razão de existir e tampouco eu estaria aqui dizendo essas coisas agora.
De fato continuaremos a ter palavras de jargão que entrarão na moda, para a felicidade dos que as usam, e o movimento histórico da involução, pelo menos intelectual, continuará acelerado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Resoluções para o ano

Sei que as coisas andam meio paradas aqui neste blog, pelo menos em termos de postagens. Mas por falta de desculpas não vou dar explicação alguma para esta minha recente ausência. Também por falta, mas desta vez de assunto, postarei apenas as simples resoluções de ano novo. Sim, o ano ainda é novo, apesar de já ter iniciado há algumas semanas, mas ainda dá tempo de escrever alguma coisa a respeito, ou a despeito, se tanto...
A verdade é que de certa fora a entrada do ano, ao menos no aspecto matemático, não deixa de simbolizar uma passagem, uma espécie de busca por algo melhor, por evolução, crescimento, ou que pelo menos nos tornemos pessoas menos ruins do que no passado, ou piores pessoas, mas com menos consciência.
Então, como também procuro esta miniatura de nirvana, eis minha lista de resoluções de início de ano:
1 - Não beberei mais cerveja de má qualidade, mas também não usarei este espaço para fazer propaganda daquelas de boa qualidade, pois não estou sendo pago para isto. E a boa cerveja, convenhamos, anda bem cara.
2 - Resistirei bravamente ao impulso de apedrejar os carros de som que ao andar pelas ruas fazendo propaganda fazem-no tocando o hit do verão, a terrível e temível música do Michel Loló.
3 - Caso eu não consiga cumprir a resolução anterior, perdoar-me-ei por não tê-lo feito.
4 - Conceder-me-ei o direito de usar pronomes mesoclíticos à vontade.
5 - Abandonarei o hábito preciosista e pedante de usar mesóclise sem necessidade, já que isto vem a tornar os textos bastante enfadonhos.
6 - Dedicar-me-ei a escrever o meu livro. Ao menos um capítulo por dia.
7 - Tentarei desvendar o mistério da palavra "olvido" escrita no pilar de uma parada de ônibus em Porto Alegre.
8 - Tentarei não cair em contradições vãs.
9 - Usarei este blog para escrever sobre assuntos relevantes e irrelevantes. Coisa que já venho fazendo desde o início, mas serei mais tolerante com os comentários alheios, os quais serão publicados ou excluídos, dependendo do contexto, do conteúdo, da forma da abordagem e da própria abordagem.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Esta também é daquelas, deles.

Antes de qualquer entabulação pretensiosa vou dizer que o texto de hoje não é exatamente meu, pelo menos no que diz respeito a sua feitura e que geralmente eu pediria permissão aos autores para postar textos de tal natureza, mas como acredito que não serei processado por isso, visto que as pessoas envolvidas são meus pais. Melhor dizendo, meu pai e minha mãe, pois sabe-se lá o que, ou qual tipo de ideia pode suscitar, nesta conturbada e polêmica atualidade, uma afirmação desse tipo.
Também vale explicar, embora desnecessariamente, que antes do ataque e da enxurrada de argumentos e contra argumentos, réplicas e tréplicas de possíveis leitores intelectualóides, sei que a poética do cotidiano ou, caso prefiram, uma poética cotidiana, já foi exaustivamente discutida e, obviamente, serei indiferente a comentários desse tipo, pois trata-se apenas de uma boa história que, mesmo fora de contexto, continua surtindo efeito, ou seja, soando-me bastante divertida em sua leitura, portanto não há motivo maior ou mais forte para publicá-la aqui e esse próprio já é por mim considerado suficiente, ou suficientemente forte e convincente para ser publicado neste espaço. 
Todavia, além deste singelo introito, o texto que segue é a pura verdade e dou meu próprio testemunho de que não é apenas uma situação bizarra, como também de grande criatividade e originalidade. E nada foi inventado, seja a situação ou o singelo, mas sempre simpático, embora em desuso, "alô, quem fala?"
Ei-lo:


Vou te contar um história muito estranha:

  Estava tentando ligar para casa, em Pelotas, para falar com o Ricardo a respeito do show da Marianne.

  Liguei a 1ª vez.

  - Alô, quem fala? - dizia eu

  - Quer falar com quem? - respondia uma mulher

  - Quero falar com a Marlene.

  - Eu me chamo Marlele.

  - É muita coincidência, mas a minha esp... mulher se chama Marlene, mas é engano.

  Aí desliguei e tentei novamente.

  De novo atendeu a mulher.

  - Alô.

  - Me desculpe - disse eu - mas acho que liguei errado novamente. De onde a Senhora está falando?

  - De Pelotas, respondeu a mulher.

  - Puxa, mas é muita conicidência mesmo. Eu quero falar com a minha mulher em Pelotas e ela se chama também Marlene.

  - De onde o Senhor está falando?

  - De Araranguá.

  - Mas o meu marido trabalha em Araranguá.

  - Então tu é a Marlene mesmo.

  - Ah! Vai tomar no cu! Que que aconteceu?

  - Pomba eu não conheci a tua voz

  - Nem eu a tua?

 -  Pô Marlene, eu pensava que estavas dormindo.

    - Então diz pro Ricardo atender que vou ligar no celular.

   Aí desliguei.


     Terminou a história.  Nada deste incrível diálogo telefônico foi inventado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Genealogicamente falando...

Muitos dos meus poucos leitores me perguntam de onde tiro os textos que são aqui publicados. Para não perder tempo costumo responder que eles vêm do plano metafísico, ou dar alguma resposta absurda que possa contentá-los, do tipo: eu estava no banheiro, olhando a água do banho escoar pelo ralo, daí tive uma ideia que, quando menos esperava, resultou em um texto.
Talvez os que acreditam em predestinação acreditem nessas respostas. Talvez outros, mais racionais apenas deem um sorriso um tanto cínico de contentamento e digam que não dá pra acreditar em algo assim, que é necessária uma prova mais científica.
Mas talvez a resposta tenha algo a ver com a genética, pois meu pai também escreve e mais uma vez me permitiu publicar aqui um texto escrito por ele.
Então aproveitem o texto, já que acredito que defende um ponto de vista bastante criativo, inusitado, divertido, além de ser uma narração de grande força.
Agora me resta o medo de que o velho comece a me roubar os leitores.
Mas eis o texto em questão:





Até que ponto a literatura pode influenciar a vida da gente?
 
       Vou contar esta história:
     
        As únicas espécies de que eu não tenho pena nenhuma de matar eram: mosquitos, moscas e baratas. Sempre que vejo uma formiga dou um passo maior para não pisar nela.
 
        Baratas eu acho os bichos mais nojentos sobre a face da terra (os ratos também). 
  
        Mas isso até há uns dias.
 
        Pois quando vi uma barata no banheiro saí atras dela para pisar em cima. Ela correu, me pareceu apavorada, para uma fresta da parede, mas não conseguiu entrar e ficou tentando e tentando entrar, dava para perceber a força que ela fazia para entrar naquele buraco e o terror que ela sentia, mas só consegui enfiar a cabeça e ficou com o corpo de fora.

         E eu, sádico, não poupei e esmaguei com o chinelo.
 
         Foi fazer isto e fiquei triste com a maldade, afinal uma barata só está cumprindo o destino dela de barata, assim como as formigas e tudo o mais, menos os motoristas bêbados e outros da nossa espécie.
 
          O resultado é que também não mato mais as baratas e ontem até deixei um pedaço de maçã para uma que vi na cozinha.
 
          Então, uma barata pode sempre um Gregor Samsa potencial.
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Nova crítica novamente, ou algo que não consigo expressar em um simples título, ou bons conselhos sobre qual autor procurar para ler

E assim digo que o melhor autor a ser lido não é aquele que afirma que o seu livro escreveu-se sozinho, dizendo "o livro foi se fazendo, quando dei por mim já tinha vários capítulos prontos". Todos sabem que, quando muito, o que se deve aceitar de um livro é uma coautoria, melhor mesmo que não passe de apenas um prefácio, pois os que fazem essa afirmação, realmente não têm o domínio sobre a obra e realmente não sabem onde pretendem chegar, ou o que pretendem dizer com a sua obra, embora produzir esse tipo de literatura venha me parecendo algo bastante lucrativo ultimamente. Isso, ou os leitores são também um tipo que deixa sua leitura fazer-se sozinha.
Afinal, se o autor faz tal afirmação a respeito de seu livro, provavelmente o próprio livro também tratou de se encaminhar para a editora, revisou-se sozinho, e isto certamente é algo que me dá um particular motivo pra tristeza, desenhou sua capa etc. Portanto, nada seria mais justo do que o próprio livro desfrutar de uma gorda conta no banco, obtida depois de fazer um contrato milionário para edição em diversas línguas, que obviamente serão traduzidas pelo próprio livro, pois este também é poliglota.
Outro que também deve ser evitado é aquele cujo autor usa muitas metáforas para descrever em coletivas de imprensa, já que as metáforas devem estar dentro, e não fora do livro. Aliás, se o autor participar de coletiva de imprensa não deve ser lido, ou, ao menos, lido já com sérias restrições, pois, quanto mais arredio e antissocial, melhor é o escritor, e a respeito disso há vários bons exemplos, cujos nomes faço questão de não listar aqui, pois outra coisa aterradora são aqueles leitores que ficam alardeando suas leituras, falando em voz alta e expelindo suas opiniões mundo afora.
De qualquer maneira, nada estraga mais um ótimo autor do que um péssimo leitor, mesmo que um ótimo leitor não seja nunca estragado por um péssimo escritor, o que traz bastante alívio para minha consciência.

sábado, 29 de outubro de 2011

História de rock

Aviso, antes de qualquer coisa, que parte desta história é baseada na realidade, embora eu não saiba exatamente qual parte se baseia na realidade, nem tampouco em qual realidade está baseada, se naquela verdadeira, ou em uma outra, digamos, alternativa.
Trocaram telefonemas para combinar uma esperada e durante tanto tempo adiada ida ao estúdio para que, dez anos depois, pudessem gravar suas velhas músicas ou, quem sabe, apenas se divertir tocando covers das suas bandas favoritas. 
Claro, tinham conhecido algumas novidades durante o tempo em que não se falaram. Arrefeceram em alguns conceitos, fortificaram-se em outros, mas estavam mesmo a fim terminar com a vontade de espancar a bateria e as cordas da guitarra. Mas claro, era preciso combinar antes o que fazer, para não correr o risco de, já na sala de gravações, um ficar olhando para o outro indagando "e aí?"
Encontraram-se, na casa de um deles, para acertar os últimos detalhes; um com as mãos suando de ansiedade; o outro faceirão, feito uma criança que acabara de ganhar um novo brinquedo. 
Beberam algo para relaxar e espantar a ansiedade enquanto, para se inspirar, e enquanto se preparavam para carregar os pratos da bateria, a guitarra e os pedais, colocaram uns discos de Krautrock para tocar.
Foi quando tiveram a ideia de fazer novos experimentos musicais. Nada de pedais, pratos, cordas ou guitarra. O negócio seria mesmo na base da betoneira. 
Passaram então o maior trabalho para carregar a betoneira para o estúdio, pois era bastante complicado empurrar um aparato daquele tamanho pela rua. Mas no fim das contas era bom, já que como nos velhos tempos as pessoas lançavam aquele olhar de admiração de "lá vão os caras que tocam na banda". Era novamente a sensação de fazer parte de algo, de ser diferente, de manter acesa a chama da rebeldia, porque faziam parte de uma banda, uma instituição que não é para crianças e nem para adultos, era o limbo entre idades: jovens demais pra morrer, velhos demais para o Rock and roll.
Chegaram, finalmente, ao estúdio, quando viram que a betoneira não passava pela porta e não havia tomada para ligá-la. Foi quando um olhou para o outro, indagando "e aí?"

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cinema II

Não sou crítico de cinema. Sei lá como trabalham aqueles caras que escrevem para certas revistas e dizem que essa produção é irregular, que aquele roteiro é incongruente, que o elenco é inconsistente, que o diretor é concupiscente, seja lá o que isso tudo significa, também não tenho o menor interesse em descobrir.
O que deixo aqui, não é exatamente uma crítica, e sim um apanhado de fatos curiosos que percebo a cada vez que assisto a determinados filmes, ou, como os infligidores baratos de coesão gostariam de dizer: obras da sétima arte.
Nos filmes do Hitchcock, por exemplo, sempre há algo ingênuo que, antigamente, eu atribuía ao pensamento da época, como se antes as pessoas fossem menos safadas, mas é engraçado pensar que no filme "A cortina rasgada", o cientista gênio que detém a fórmula secreta e, por sinal não é cercado por segurança alguma, é ingênuo a ponto de se deixar levar pela conversa fiada do tosco cientista americano, encenado pelo Paul Newman. 
Também não faz sentido que, na maioria dos filmes de invasão alienígena, espécies com inteligência suficiente para atravessar a galáxia, ao invadir o nosso planeta atenham-se à destruição de monumentos. Os seres desembarcam neste planeta para destruir a Estátua da Liberdade, a Torre Eiffel, o Coliseu, o Cristo Redentor, não, o Cristo Redentor não. Mas de qualquer maneira, não dão a menor importância para as fontes de energia e de alimentos. Pergunto então: para que tanto esforço coletivo dos governos do mundo, já que, aparentemente, os aliens são caras bem intencionados e nada mais querem do que promover uma reforma de bom gosto aqui na Terra?
O Chewbacca, sujeito evidentemente sem capacidade de produzir um pensamento profundo, que é capaz de desenvolver uma linguagem complexa, sempre é capaz de consertar o cruzador intergalático mais veloz de todo o universo, cujo motor provavelmente é da maior complexidade, e melhor ainda, usando somente uma simples chave de fenda. Bem, talvez eu esteja exagerando aqui e o simpático Chewbacca seja de inteligência superior, mas mesmo assim é algo a se pensar a respeito.
De qualquer maneira, dentre os aproximadamente 16 leitores deste blog, muitos farão contato para criticar, dizendo que o forte do Hitchcock era sua ironia, que as destruições dos monumentos pelos extraterrestres era pura licença poética e que eu não deveria falar contra o Chewbacca, pois poderá ser interpretado como uma postura extremamente incorreta do ponto de visa político, pois ele pode ser considerado como parte de uma minoria e tal atitude, nos dias de hoje, não fica nada bem. Mas não estou recebendo comentários, porque esses são dados que simplesmente me parecem curiosos dentro do conceito dos filmes e que se algum leitor, em algum momento, se julgar no direito de pedir direito de resposta, que vá arranjar espaço próprio para arranje suas divagações acerca dos filmes.